Mapa do voto
Capital ou interior: de onde vieram os votos dos deputados mais votados de 2026
Isidório tirou 59% dos votos em Salvador, que tem 17% do eleitorado da Bahia. Alvinho Lira fez o caminho oposto e quase não precisou de Maceió.
Redação Relatório Político · 10 de outubro de 2026

O voto de um deputado federal vem do estado inteiro, mas não chega do mesmo jeito de todo lugar. O levantamento do Relatório Político com os dados oficiais do TSE mostra que os campeões de voto de 2026 chegaram ao primeiro lugar por caminhos muito diferentes: uns se apoiaram na capital, outros quase passaram longe dela.
Para comparar estados de tamanhos diferentes, a conta é simples. De um lado, quanto da votação do candidato veio da capital. Do outro, quanto do eleitorado do estado mora lá. Quando o primeiro número é muito maior que o segundo, o candidato é forte na capital. Quando é muito menor, a força está no interior.
Os campeões da capital
O caso mais forte é o do Pastor Sargento Isidório (Avante), na Bahia. Dos seus 248.147 votos, 145.377 vieram de Salvador, ou 58,6% do total. A capital tem 17,3% do eleitorado baiano. Isidório teve em Salvador um peso mais de três vezes maior que o da cidade no estado.
Na Paraíba, Cabo Gilberto Silva (PL) tirou 37,5% dos votos em João Pessoa, que tem 18,2% dos eleitores. No Ceará, André Fernandes (PL) teve 45,8% em Fortaleza, onde vota 25,7% do estado.
Os campeões do interior
Em Alagoas, Alvinho Lira (PP) foi o mais votado do estado com apenas 4,9% dos votos vindos de Maceió, que reúne 26,5% do eleitorado. A cidade onde ele teve mais votos foi Campo Alegre, com 10.722.
Em Rondônia, Lucio Mosquini (PL) teve mais votos em Jaru (18.184) do que em Porto Velho (10.503). No Rio Grande do Sul, Maurício Marcon (PL) fez 74.581 votos em Caxias do Sul e 20.730 em Porto Alegre.
No Rio de Janeiro, Dr. Luizinho (PP) teve em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, quase o dobro dos votos que fez na capital: 77.048 contra 42.398. A capital fluminense tem 38,5% do eleitorado do estado e deu a ele 19,8% dos votos.
Os dois recordistas
Os dois deputados que passaram dos 3 milhões de votos tiveram uma distribuição parecida com a do próprio eleitorado. Lucas Pavanato (PL) tirou 25,9% dos votos na cidade de São Paulo, que tem 26,8% dos eleitores do estado. Nikolas Ferreira (PL) teve 15,7% em Belo Horizonte, onde vota 12% de Minas. Votação espalhada desse jeito é o que permite chegar a números desse tamanho.
Estado por estado
| Estado | Mais votado | Votos da capital | Eleitorado na capital |
|---|---|---|---|
| BA | Pastor Sargento Isidório | 58,6% | 17,3% |
| PB | Cabo Gilberto Silva | 37,5% | 18,2% |
| CE | André Fernandes | 45,8% | 25,7% |
| RN | Natália Bonavides | 37,8% | 21,5% |
| PE | Pedro Campos | 27,7% | 17,0% |
| PR | Jeffrey Chiquini | 26,4% | 16,4% |
| AM | Sargento Salazar | 83,2% | 52,8% |
| MG | Nikolas Ferreira | 15,7% | 12,0% |
| MS | Camila Jara | 41,2% | 31,7% |
| AP | Felipe Show | 69,6% | 55,7% |
| TO | Professora Janad Valcari | 22,9% | 18,6% |
| ES | Lucas Polese | 10,7% | 8,9% |
| GO | Bruno Peixoto | 22,0% | 20,1% |
| AC | Socorro Neri | 46,0% | 44,0% |
| SP | Lucas Pavanato | 25,9% | 26,8% |
| SC | Julia Zanatta | 6,8% | 7,4% |
| PA | Delegado Caveira | 12,2% | 16,7% |
| MA | Pedro Lucas Fernandes | 9,7% | 14,7% |
| SE | Yandra Moura | 14,1% | 24,3% |
| RR | Marcos Jorge | 34,1% | 60,1% |
| RJ | Dr. Luizinho | 19,8% | 38,5% |
| RS | Maurício Marcon | 5,5% | 12,5% |
| PI | Georgiano | 7,2% | 21,9% |
| RO | Lucio Mosquini | 6,6% | 29,1% |
| AL | Alvinho Lira | 4,9% | 26,5% |
O Distrito Federal fica de fora porque é um município só. Mato Grosso fica de fora por um detalhe técnico: Boa Esperança do Norte, o município mais novo do estado, ainda não entrou na base de mapas usada no cálculo.
E o seu voto?
A mesma conta vale para qualquer candidato, em qualquer cidade, e desce até o bairro e a escola. É o que mostra onde a campanha foi forte e onde ficou devendo. Veja os mapas por estado ou peça o relatório de um candidato.
*Fonte: TSE, votação por município da eleição de 4 de outubro de 2026 e eleitorado apto por seção. Cálculo do Relatório Político.*